Domingo, Março 09, 2008

Tempo/Espaço navegando em todos os sentidos

Tempo: Cartas não lidas, rasgadas, amassadas, esquecidas em alguma caixa de sapato. Recados no muro, no quadro-negro, na caixa postal. Uma frase riscada a giz na pedra grês. Um bilhete perdido em um livro. Uma canção sem melodia entre contas de luz e água. Um disco dos Beatles que repete mil vezes um tempo que é vivo e que morreu há anos atrás. Espaço: Paisagens ordinárias. Um corredor de apartamento. Uma esquina do Menino Deus. O barulho da chuva no telhado que ecoa pela velha casa da rua Garibaldi. Composições geométricas em vermelho e branco desbotados de um passeio antigo. O velho pintor que rabisca um casal de amantes na praça Vallermoso, em Madrid. Os olhos que se perderam no quadro de Magrite. Um amor prestes a acontecer, na janela de um café da rua Fernandes Vieira. Um amor prestes a desacontecer, sob um guarda-chuva, sobre a ponte do rio Lifey. Aquilo que se sente quando se avista a torre numa tarde chuvosa em Montmartre. O quarto que cresce quando o silêncio chega com a noite. Uma geografia tanto imaginária quanto real, como um bilhete nunca lido ou uma paisagem solitária; não houve testemunhas mas ninguém pode afirmar sua inexistência.

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