Domingo, Setembro 23, 2007

12 segundos de oscuridad o más

rasguei tudo que tínhamos. fotos, cartas, cartoes, tudo. esperei muito tempo para fazer isso, uma boa dezena de meses. em uma tarde acinzentada que nada explicava, respirei fundo, desci a caixa de papelão do armário. considerei tudo e rasguei coisa por coisa enquanto caíam tormentas de mim, borrando teus desenhos e cartas feitas a lápis de cor. não deixei de ler nada antes de me despedir delas; lí tudo, me lembrei de tudo, trouxe pares de anos em punhados de minutos, apoiei meus cotovelhos nos joelhos querendo desistir - mas lí tudo, sentí tudo novamente. As fotos por último, rasguei-as e joguei-as pelo chão do quarto. nele, pedaços de braços, metades de sorrisos, fragmentos de céu do parque, mil olhos me vigiando de todos os ângulos, de todos os tamanhos, me sorrindo de todas as formas.

chovia torrencialmente dentro e fora do quarto. e a parte mais difícil foi o peso de juntar os fragmentos com as duas mãos e colocá-los fora, enquanto tocava o sino das 18hs. era a hora dos corvos e eu e o céu soluçávamos juntos, condescendentes.

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

da série "te hecho de menos"

do lidl (e das batatas fritas a 0,59$, por supuesto)
de recoletos (aquele vento frio na cara, os pés congelados e longe los nuevos ministérios, enquanto eu ouvia "yeah, it's easy walk over to you")
do café na rive gauche, com doce de maça, antes de comprar uma bagatela de livros por 5$.
de levantar voo ouvindo keane quase estourando os tímpanos.
do vinho do porto na beira do rio D'Ouro, a noite vermelha, nublada e eu perdido do outro lado do oceano.
do garçom chato que me servia café na UAM.
do meu macbook preto na mochila amarela que eu levava no trem vermelho e usava de travesseiro na grama verde quando queria ouvir um jack johnson pra me lembrar do mar azul.
de ir no show do drexler e depois caminhar até o metro anton martín.
do cheiro de baunilha e café mal-feito da casa da marine.
da marine.
das amigas da marine.
do corte inglês.
de tirar fotos ridículas na frente de un donner kebab.
daquela última olhada no mar adriático, de noite, numa pontezinha.
do banho de mar na barceloneta (sim, do topless também - e principalmente).
de caminhar em volta do parque del oeste.
do trem (eu já disse).
do metro (também já disse).
da cerveja muito barata no bairro alto.
da argentina que não me sai da cabeza (por supuesto no estoy hablando del país).
do ônibus não disse, mas faz falta também (ainda mais se fosse pra ir na FNAC comprar alguma baboseira ou passar a tarde ouvindo discos de jazz que custariam fortunas em Porto Alegre).

essas coisas fazem uma falta enorme.