interminável caminhada pelo paseo castellana
coches me ultrapassam.
trens e metros sob meus pés.
avioes me cruzam.
helicopteros me espreitam.
tudo é velocidade, pressa e anseio ao meu redor.
mas eis que vou pelo paseo,
e piers faccinni me sonoriza,
absorto nesses mil postes por hora apagados,
e as árvores sem folhas num túnel interminável
me fazem crescer como a planície,
a despeito das arquiteturas que insistem em diminuir-me.
sou maior que esses prédios,
muito mais veloz que os avioes,
àgua mais pura que da fuente de netuno,
azul demasiado natural que desses prédios.
pois aos poucos aprendi a voar de pés no chao,
vencer continentes ao olhar o céu,
verter nos olhos rios e mares de saudade,
e acender meu pròprio sol, quando é dia cinza.
