Quinta-feira, Novembro 02, 2006

quando um beijo se parte em quatro
e não há noite que some as partes

apesar da dúvida, seguir
tropeçar, tocar campainhas

calçar tênis
milonguear candombes, em silêncio

respirar fundo como yogi
vento de lilás e ligustro

aprender o tempo
o tempo (a)prender-me

um homem toca piano no 4 andar de um prédio comercial, às 23hs de domingo. alguém confere á calçada e à marquise sua dose de humanidade. um homem de casaco preto caminha, baforando umidade e neblina, conversando como meio fio. na luz que acende e apaga do apartamento dos fundos, vê-se mãos que gesticulam nervosas. um velho na sacada, toma o mate e ajeita a boina, enquanto céu avermelha-se.

tudo é visceralmente mundano, quando não há estrelas pra nos mostrar Deus.